quarta-feira, 28 de setembro de 2011

Jorapimo







Nascido na cidade de Corumbá, em 1937, Jorapimo começou a pintar na
década de 1950, inspirado em Gauguin e Cézanne, Van Gogh, Lasar
Segall, Anita Malfatti e Cândido Portinari. Expressionista, o
Pantanal era a sua grande inspiração e, em toda a sua obra, ele
retrata a natureza em sua plenitude, a nostalgia dos casarios do
Porto de Corumbá, as barcas e o dia-a-dia do homem pantaneiro.

Considerado pela crítica como introdutor da pintura moderna em Mato
Grosso do Sul, Jorapimo foi um dos fundadores da Associação
Mato-grossense de Artes (AMA). Ao longo da carreira, teve suas obras
expostas no Japão, Alemanha, Estados Unidos, Paraguai, Bolívia e
Uruguai, e participou de diversas mostras coletivas e individuais em Campo Grande, Corumbá, Cuiabá, São Paulo, Rio Claro, Campinas e
Vitória.

Henrique Spengler


      O brasileiro Henrique Spengler(1958 - 2003) foi Diretor de Cultura da Prefeitura Municipal de Coxim, MS. Formou-se em Educação Artística pela FAAP - Fundação Armando Álvares Penteado (1981) e era pós-graduado em História da Arte. Membro ativo de associações em favor da cultura indígena criou uma nova visão contemporânea ao reinventar imagens baseadas nas abstrações das cerâmicas, couros e tatuagens da tribo Kadiweo-Mbayá, originária do Sudoeste de Mato Grosso do Sul. Era um artista neo-nativista muito original, tendo desenvolvido a técnica em gravura “cotton”, que consiste em imprimir no papel suporte valendo-se de um lençol como matriz. Participou de diversas exposições e salões, tendo sido premiado várias vezes. Recebeu o “1º Prêmio em Gravura” no 3º e 5º Salão de Artes de Dourados, MS. Participou da exposição “Por uma Identidade Ameríndia” em Assunção, Paraguai, e em La Paz, Bolívia. As gravuras do artista são releituras da simbologia nativa “Guaicuru”.



Conceição dos Bugres


Conceição dos Bugres :                     

(texto de 1979)...Seu nome é Conceição Freitas da Silva. Dos rápidos golpes de facão e machadinha vão surgindo da madeira bruta os "bugres de Conceição", principal escultora de Mato Grosso. Com profunda necessidade de fazê-los para satisfazer sua criatividade e garantir-lhe a sobrevivência, os bugres aparecem, basicamente, com a mesma seriedade com que ela prepara a comida ou varre o chão. Evidentemente, o fato não é notado pela artista, que não vê nessas figuras nenhum vestígio de deformação mas, pelo contrário, identifica-se com elas. Como elas os bugres são rudes. Também são as mesmas, a pureza e a simplicidade.
onceição, começou a trabalhar a madeira, quando um dia se pôs debaixo de uma árvore e por perto tinha uma cepa de mandioca. Esta cepa tinha cara de gente para ela. Pensou em fazer uma pessoa e a fez. Logo depois a mandioca foi secando e foi se parecendo com uma cara de velha, ela pensou. Gostou muito e depois passou a trabalhar a madeira.
Entrevista de 1979: Como chegou a usar a cera nos seus bugres? - Uma vez eu sonhei que o Abilio (seu marido) foi ao mato e trouxe bastante mel; logo pensei em tirar a cera. Espremi ligeiro e pus no fogo a ferver. A cera ficou bonita, amarelinha e então eu peguei um pincel e comecei a passar cera nos bugres. No dia seguinte mandei I Ilton (seu filho) comprar a cera. eu ja sabia do efeito através do sonho, ja havia gostado.
....para mim a cera representa a roupa. Antes o bugre andava nu, agora anda vestido.
Nascida em 1914. Depois de sua morte em 1984, seu trabalho continuou sendo realizado pelo seu marido, depois por seu filho e atualmente por seu neto Mariano.

Conceição dos Bugres :                     

(texto de 1979)...Seu nome é Conceição Freitas da Silva. Dos rápidos golpes de facão e machadinha vão surgindo da madeira bruta os "bugres de Conceição", principal escultora de Mato Grosso. Com profunda necessidade de fazê-los para satisfazer sua criatividade e garantir-lhe a sobrevivência, os bugres aparecem, basicamente, com a mesma seriedade com que ela prepara a comida ou varre o chão. Evidentemente, o fato não é notado pela artista, que não vê nessas figuras nenhum vestígio de deformação mas, pelo contrário, identifica-se com elas. Como elas os bugres são rudes. Também são as mesmas, a pureza e a simplicidade.
Conceição, começou a trabalhar a madeira, quando um dia se pôs debaixo de uma árvore e por perto tinha uma cepa de mandioca. Esta cepa tinha cara de gente para ela. Pensou em fazer uma pessoa e a fez. Logo depois a mandioca foi secando e foi se parecendo com uma cara de velha, ela pensou. Gostou muito e depois passou a trabalhar a madeira.
Entrevista de 1979: Como chegou a usar a cera nos seus bugres? - Uma vez eu sonhei que o Abilio (seu marido) foi ao mato e trouxe bastante mel; logo pensei em tirar a cera. Espremi ligeiro e pus no fogo a ferver. A cera ficou bonita, amarelinha e então eu peguei um pincel e comecei a passar cera nos bugres. No dia seguinte mandei I Ilton (seu filho) comprar a cera. eu ja sabia do efeito através do sonho, ja havia gostado.
....para mim a cera representa a roupa. Antes o bugre andava nu, agora anda vestido.
Nascida em 1914. Depois de sua morte em 1984, seu trabalho continuou sendo realizado pelo seu marido, depois por seu filho e atualmente por seu neto Mariano.




Evandro Prado


Evandro Prado: Múltiplo
Evandro Prado pode ser considerado a maior promessa surgida nas artes plásticas de Mato Grosso do Sul nos últimos anos. É uma promessa que, a passos largos, está se tornando realidade, cada vez mais reconhecida dentro e fora do estado. Apesar de sua curta, mas profícua, carreira, Evandro expôs o seu trabalho em Campo Grande, Corumbá, Bonito e Dourados, e em importantes centros culturais fora do estado como o Rio de Janeiro, São Paulo, Brasília, Gioania, Cuiabá, Fortaleza, Belém, entre outros.

Além disso, enriquece o currículo de Evandro ter sido selecionado no ano passado para participar do Programa RUMOS ITAÚ CULTURAL, uma iniciativa cujo objetivo, em seus próprios termos, se constitui em um “mapeamento do melhor da arte contemporânea emergente do Brasil”. Trienalmente, são escolhidos sessenta jovens artistas plásticos de todo o Brasil, sendo que Evandro foi o primeiro artista de Mato Grosso do Sul, e único até este momento, a participar deste programa.

Irreverente, provocativo, desafiante como poucos, Evandro explora, com criatividade ímpar, uma das mais importantes funções das artes, que é a de trazer a reflexão, e, pela controvérsia, fazer com que cada pessoa que interaja com sua obra a “sinta” de sua própria forma, única e peculiar.

Contrapor símbolos sagrados, sejam religiosos, sejam políticos, com o maior símbolo do consumismo capitalista, hoje globalizado, é um claro exemplo desta irreverência provocativa e desafiante da obra de Evandro.

Com esta nova exposição individual, MÚLTIPLO, que e uma síntese de seus trabalhos nas três fases distintas de sua carreira, HABEMUS COCAM, FÉ NA TÁBUA e CORPUS CHRISTI, o artista demonstra sua versatilidade técnica e seu crescente amadurecimento profissional, impressionantes para sua idade.

E foi com grande prazer que aceitei a Curadoria da exposição, pois tenho certeza que os trabalhos de Evandro não trarão indiferença a quem entrar em contato com ela, cumprindo com esta importante função das artes. GRAÇAS A DEUS, HABEMUS EVANDRUM!

Humberto Espindola


Humberto Augusto Miranda Espíndola (Campo Grande4 de abril de 1943) é umartista plástico brasileiro, criador e difusor do tema bovinocultura.
Bacharel em jornalismo pela Faculdade de Filosofia, Ciências e Letras da Universidade Católica do Paraná, Curitiba, em 1965, começa a pintar um ano antes. Também atua no meio teatral e literário universitário.
Espíndola apresenta o tema Bovinocultura em 1967, no IV Salão de Arte Moderna do Distrito Federal, em Brasília. No mesmo ano é co-fundador da Associação Mato-Grossense de Arte, em Campo Grande, onde atua até 1972. Em 1973 participa do projeto e criação do Museu de Arte e Cultura Popular (que dirige até 1982) e colabora com o Museu Rondon, ambos da Universidade Federal de Mato Grosso, em Cuiabá. Em 1974 cria o mural externo, em pintura, granito e mármore, no Palácio Paiaguás, sede do governo estadual de Mato Grosso, e em 1983 é co-fundador do Centro de Cultura Referencial de Mato Grosso do Sul. Em 1979 colabora com o livroArtes Plásticas no Centro-Oeste, de Aline Figueiredo, que em 1980 ganha o Prêmio Gonzaga Duque, da Associação Brasileira de Críticos de Arte. Em 1986 é nomeado primeiro secretário de cultura de Mato Grosso do Sul, permanecendo no cargo até 1990. Em 1996 cria o monumento àCabeça de Boi, em ferro e aço, com 8 m de altura, na Praça Cuiabá, Campo Grande.
Humberto Espíndola realizou várias exposições, no Brasil e em outros países. Ganha vários prêmios, incluindo o prêmio de melhor do ano da Associação Paulista de Críticos de Arte. Possui obras em museus como o Museu de Arte Contemporânea de Campo Grande, o Museu de Arte Contemporânea da Universidade de São PauloMuseu de Arte Moderna de São Paulo e a Pinacoteca do Estado de São Paulo.

quarta-feira, 3 de agosto de 2011

Aldemir Martins




O artista plástico Aldemir Martins nasceu em Ingazeiras, no Vale do Cariri, Ceará em 8 de novembro de 1922. A sua vasta obra, importantíssima para o panorama das artes plásticas no Brasil, pela qualidade técnica e por interpretar o “ser” brasileiro, carrega a marca da paisagem e do homem do nordeste.

O talento do artista se mostrou desde os tempos de colégio, em que foi escolhido como orientador artístico da classe. Aldemir Martins serviu ao exército de 1941 a 1945, sempre desenvolvendo sua obra nas horas livres. Chegou até mesmo à curiosa patente de Cabo Pintor. Nesse tempo, freqüentou e estimulou o meio artístico no Ceará, chegando a participar da criação do Grupo ARTYS e da SCAP – Sociedade Cearense de Artistas Plásticos, junto com outros pintores, como Mário Barata, Antonio Bandeira e João Siqueira.

Em 1945, mudou-se para o Rio de Janeiro e, em 1946, para São Paulo. De espírito inquieto, o gosto pela experiência de viajar e conhecer outras paragens é marca do pintor, apaixonado que é pelo interior do Brasil. Em 1960/61, Aldemir Martins morou em Roma, para logo retornar ao Brasil definitivamente.

O artista participou de diversas exposições, no país e no exterior, revelando produção artística intensa e fecunda. Sua técnica passeia por várias formas de expressão, compreendendo a pintura, gravura, desenho, cerâmica e escultura em diferentes suportes. Aldemir Martins não recusa a inovação e não limita sua obra, surpreendendo pela constante experimentação: o artista trabalhou com os mais diferentes tipos de superfície, de pequenas madeiras para caixas de charuto, papéis de carta, cartões, telas de linho, de juta e tecidos variados - algumas vezes sem preparação da base de tela - até fôrmas de pizza, sem contudo perder o forte registro que faz reconhecer a sua obra ao primeiro contato do olhar.

Seus traços fortes e tons vibrantes imprimem vitalidade e força tais à sua produção que a fazem inconfundível e, mais do que isso, significativa para um povo que se percebe em suas pinturas e desenhos, sempre de forma a reelaborar suas representações. Aldemir Martins pode ser definido como um artista brasileiro por excelência. A natureza e a gente do Brasil são seus temas mais presentes, pintados e compreendidos através da intuição e da memória afetiva. Nos desenhos de cangaceiros, nos seus peixes, galos, cavalos, nas paisagens, frutas e até na sua série de gatos, transparece uma brasilidade sem culpa que extrapola o eixo temático e alcança as cores, as luzes, os traços e telas de uma cultura.

Por isso mesmo, Aldemir é sem dúvida um dos artistas mais conhecidos e mais próximos do seu povo, transitando entre o meio artístico e o leigo e quebrando barreiras que não podem mesmo limitar um artista que é a própria expressão de uma coletividade.



Falece em 05 de Fevereiro de 2006, aos 83 anos, no Hospital São Luís em São Paulo.



UMA BREVE CRONOLOGIA

1922 – Nasce em Ingazeiras, sertão do Cariri, Ceará , em 08 de novembro.

1942 – Funda o Grupo Artys e SCAP (Sociedade Cearense de Artistas Plásticos) com Mário Barata, Barbosa Leite, Antonio Bandeira.

1943 – Salão de Abril – III Salão de Pintura do Ceará.

1945 – Muda-se para o Rio de Janeiro. Exposição coletiva na Galeria Askanasi – RJ

1946 – Muda-se para São Paulo.

1947 – Exposição Coletiva 19 pintores – 3o. prêmio

1948 – Exposição na Galeria Domus, São Paulo, com Mário Gruber e Enrico Camerini.

1951 – Prêmio de desenho na Bienal de São Paulo, com “O Cangaceiro”.

1953 – Pintores Brasileiros, Tóquio, Japão.

1954 – Gravuras Brasileira, Genebra, Suíça.

1955 – Bienal Internacional de Desenho e Gravura de Lugano, Suíça.- V Salão Baiano de Artes Plásticas, Salvador, Bahia.

1956 – Medalha de Ouro no V Salão Nacional de Arte Moderna no Rio de Janeiro - XXVIII Bienal de Veneza, Itália – Prêmio “Presidente Dei Consigli dei Ministeri”, atribuído ao melhor desenhista internacional.

1957 – Exposição de gravuras no “Circolo dei Principi”, Roma, Itália, com Lívio Abramo.

- VI Salão de Arte Moderna, Rio de Janeiro.

1958 – Festival Internacional de Arte, Festival Galleries, Nova Iorque, Estados Unidos.

- VIII Salão Nacional de Arte Moderna, Rio de Janeiro.

1959 – Prêmio de viagem ao Exterior do VIII Salão de Arte Moderna do Rio de Janeiro.


- Exposição individual no Museu de Arte Moderna da Bahia.


1960 – Exposição coletiva Artistas Brasileiros e Americanos, Museu de Arte de São Paulo.


1961 – Exposição de desenhos e litografias na Sociedade Nacional de Belas Artes, em Lisboa, Portugal.


1962 – Exposição individual na Sala Nebili, Madri, Espanha.


- Exposição coletiva “Brasilianische Kunstler der Gegenwart”, Kassel, Alemanha.


1965 – Exposição individual no Instituto de Arte Contemporânea, Lima, Peru.


1968 – Primeiro prêmio por grafia na Bienal Internacional de Veneza de 1946 a 1966.


1970 – Panorama da Arte Atual Brasileira – Pintura 70, Museu de Arte Moderna de São Paulo.


1975 - XIII Bienal de São Paulo – Sala Brasileira.


1978 - Retrospectiva 19 pintores, no Museu de Arte Moderna de São Paulo.


1980 – Exposição circulante, coletiva, no Museu de Arte Moderna de São Paulo.


- Coletiva 48 artistas, na Pinacoteca do Estado, São Paulo.


1981 – Exposição de pinturas, desenhos e esculturas no Museu de Arte da Bahia.


1982 – Internacional Arte Expo, Estocolmo, Suécia.


1984 – Coletiva – A Cor e o Desenho no Brasil, Museu de Arte Moderna de São Paulo.


- Individual de pintura, desenho e gravura – Arte Amazônica, Nova Iorque, Estados Unidos.


- Tradição e Ruptura – Fundação Bienal de São Paulo.


1985 – Lançamento do livro “Aldemir Martins, Linha, Cor e Forma”.


1988 – Comemoração de 30 anos da SCAP – Sociedade Cearense de Artistas Plásticos - Fortaleza, Ceará.

- Os Muros de Maison Vogue, MASP – Museu de Arte de São Paulo

1989 – O Nordeste de Aldemir Martins, Espace Latin-American, Paris, França.



           Algumas obras de Aldemir Martins







ALFREDO VOLPI



Alfredo Volpi
Mesmo tendo nascido na Itália, de onde foi trazido com menos de dois anos, Volpi é um dos mais importantes artistas brasileiros deste século. Antes de mais nada, trata-se de um pintor original, que inventou sozinho sua própria linguagem. Isso é muito raro na arte produzida em países do terceiro mundo, cuja cultura erudita sempre deve algo a modelos internacionais. Diferentemente das de Tarsila, Di Cavalcanti e Portinari, cujas analogias estilísticas com Léger e Picasso são reais, a pintura de Volpi não se parece com a de ninguém no mundo. Pode, quando muito ter, às vezes, um clima poético próximo ao da pintura de Paul Klee - mas sem semelhanças formais.

Embora fosse da mesma geração dos modernistas, Volpi não participou da Semana de Arte Moderna de 1922. Dela estava separado, em primeiro lugar, por uma questão de classe social. Imigrante humilde, lutava arduamente pela vida no momento em que os intelectuais e os patronos da "Semana" a realizaram. Era um simples operário, um pintor/decorador de paredes, que pintava os ornamentos murais, frisos, florões etc., usados nos salões dos palacetes da época. Acima de tudo, esse dado tem uma importância simbólica. Mostra que a trajetória de Volpi foi desde sempre independente de qualquer movimento, tendência ou ideologia.
Auto-didata, Volpi começou, na juventude, fazendo pequenas e tímidas telas do natural, nas quais às vezes se nota um toque impressionista. Na década de 30, sua pintura adquire um sabor claramente popular - embora permaneça, ao mesmo tempo, paradoxalmente, sempre concisa, sem a menor prolixidade nem retórica. É a década de 40 que marca sua decisiva evolução em direção a uma arte não representativa, não mimética, independente da realidade contemplada.
Volpi passa a trabalhar de imaginação, no atelier, e produz marinhas e paisagens cada vez mais despojadas, que acabam se transformando em construções nitidamente geométricas - as chamadas "fachadas". É como se o artista refizesse sozinho, por si mesmo, todo o caminho histórico da primeira modernidade, de Cézanne a Mondrian. Sua linguagem não se parece com a desses mestres, mas os propósitos são os mesmos: libertar-se da narrativa e construir uma realidade pictórica autônoma do quadro. Cada tela, nessa época, parece sair exatamente da anterior, num processo contínuo e linear. Através dessas paisagens, que na passagem aos anos 50 se transformam em fachadas, Volpi chega, em 1956, à pintura abstrata geométrica - mas não porque ela está na moda e virou objeto de polêmica, e sim como conseqüência inexorável de sua própria evolução.
A fase rigorosamente abstrata é curtíssima. Dos anos 60 em diante, Volpi fez uma síntese única entre arte figurativa e abstrata. Seus quadros admitem uma leitura figurativa (nas "fachadas", nas famosas "bandeirinhas"), mas são, essencialmente, apenas estruturas de "linha, forma e cor" - como ele mesmo insistia em dizer.
Também ímpar é a síntese que faz entre suas origens populares e uma produção formalmente muito requintada, sem dúvida erudita. Finalmente, ele concilia e sintetiza brasilidade e universalidade. Pode-se dizer que o projeto estético procurado por Tarsila e articulado e explicitado por Rubem Valentim foi realizado na plenitude por Volpi, de maneira não intelectual e sim prodigiosamente intuitiva.
Fonte: www.mre.gov.br
ALFREDO VOLPI
Volpi nasceu em Lucca, na Itália, em 1896.
Filho de imigrantes, chegou ao Brasil com pouco mais de um ano de idade. Foi decorador de paredes. Aos 16 anos pintava frisos, florões e painéis. Sempre valorizou o trabalho artesanal, construindo suas próprias telas, pincéis. As tintas eram feitas com pigmentos naturais, usando a técnica de têmpera.
Foi um auto didata. Sua evolução foi natural, tendo chegado à abstração por caminhos próprios, trabalhando e dedicando-se a essa descoberta. Nunca acreditou em inspiração.
Alfredo Volpi não participou dos movimentos modernistas da década de 20, apoiados pela elite brasileira. Manteve-se à parte desses grupos. Não teve acesso aos mestres europeus, como era comum na época.
Alfredo Volpi
Alfredo Volpi
Alfredo Volpi
Alfredo Volpi
Alfredo Volpi
Alfredo Volpi

Formou, na década de 30, o Grupo Santa Helena que com outros pintores,- Rebolo, Graciano, Zanini, Bonadei, Pennacchi,- constituiram um trabalho voltado para a pesquisa, desenvolvimento de técnicas apuradas e observação.
Na década de 40, através das paisagens de Itanhaém, seu novo caminho pictórico começou a se mostrar. Abandonou a perspectiva tradicional, simplificou e geometrizou as formas. Mais tarde, chegou à abstração. Após seu encontro com o pintor italiano Ernesto De Fiori, seus gestos ficaram mais livres, dinâmicos e expressivos. A cor, mais vibrante.
Nos anos 50, as bandeirinhas das festas juninas, de Mogi das Cruzes, integraram-se às suas fachadas. Posteriormente, destacou-as do seu contexto original. A partir da década de 60, suas pinturas são jogos formais: todos os temas são deixados de lado e as bandeirinhas passaram a ser signos, formas geométricas compondo ritmos coloridos e iluminados
Volpi morreu aos 92 anos, em 1988, em São Paulo.